Policiais civis e militares do Paraná estão no Rio de Janeiro para compor a Força Nacional de Segurança Pública para a Olimpíada 2016. São cerca de 250 homens. A mobilização policial, que começou nesta terça-feira (5), a exatos um mês do início dos Jogos, é considerada a maior da América Latina e uma das principais da história do Brasil.

Foram recrutados 4,5 mil agentes de todos os estados, além de integrantes das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro -estes responsáveis pelo patrulhamento na cidade – e mais 38 mil oficiais do Exército brasileiro, chegando a 85 mil homens. O trabalho vai até o fim das Paralimpíadas, no dia 18 de setembro. Em Moscou (1980) e Pequim (2008), por exemplo, contou-se com cerca de 100 mil agentes durante os Jogos Olímpicos.

São esperados 209 delegações, 700 mil turistas, 12 mil atletas e 30 mil jornalistas. Além do Rio, haverá competições de futebol em Belo Horizonte, Brasília, Salvador, São Paulo e Manaus.

SELEÇÃO – O efetivo paranaense foi selecionado entre os policiais que frequentaram a Instrução de Nivelamento e Capacitação (INC), promovida pelo Departamento da Força Nacional de Segurança Pública. Aos agentes caberá especialmente a atuação nos locais de competição e na vila olímpica, onde os atletas ficarão hospedados.

Para efeito operacional, o planejamento de segurança dividiu as instalações esportivas em quatro zonas olímpicas. Cada uma corresponde a uma Região de Força Nacional. A Polícia Militar do Paraná, por seu histórico e tradição, foi convidada a indicar um oficial superior para o comando de uma delas.

A responsabilidade por uma das áreas mais importantes, famosas e sensíveis no aspecto da segurança coube ao tenente-coronel Nelson Argentino Soares Júnior, com 30 anos na corporação. Ele foi indicado pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Maurício Tortato, para atuar nos Jogos Olímpicos.

O tenente-coronel Soares estará à frente da Zona Copacabana, que engloba cinco instalações olímpicas (Marina da Glória, Forte Copacabana, Arena de Vôlei de Praia, Lagoa Rodrigo de Freitas e Pontal), e mais todas as provas de rua (ciclismo, maratona, triatlo e marcha atlética), que são as mais expostas ao público. Em Atenas (2004), o paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima foi atacado pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan quando liderava a maratona e acabou terminando em terceiro lugar.

“É a primeira vez que sou chamado pela Força Nacional. Além dos predicados de comando, requeridos de todos os oficias, foram decisivos para minha indicação para esta missão o domínio da língua inglesa e o fato de ter desenvolvido uma tese de doutorado voltada para análise dos grandes eventos esportivos no espaço urbano e sua correlação com a segurança pública”, explicou Soares.

 

INTELIGÊNCIA – Desde o atentado em Munique (1976), que causou a morte de 17 pessoas, entre atletas, terroristas, treinadores e policiais, a defesa se tornou um dos principais pontos do planejamento olímpico. Com a avalanche de ataques terroristas, o alerta é máximo no Rio e tem exigido um robusto reforço nos bastidores dos Jogos.

Apenas para o setor de inteligência, 80 agentes das polícias Civil, Militar e do Departamento de Inteligência do Paraná (Diep) foram cedidos pela Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária. “É uma enorme satisfação ver nossos policiais do Paraná com papel de destaque num evento da grandiosidade da Olimpíada. Este reconhecimento demonstra a eficiência e a qualidade dos nossos policiais”, disse o secretário Wagner Mesquita. Alguns deles estão no Rio desde o início do ano. Como parte da contrapartida do Ministério da Justiça por contar com esse reforço operacional, os policiais estão recebendo qualificação especial para atuar em grandes eventos.

“O terrorismo é a maior preocupação. Embora o Brasil não seja considerado um alvo em potencial, a Olimpíada é”, afirmou o delegado-adjunto do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), Cristiano Quintas. “Apesar do desafio, é uma oportunidade única trabalhar em uma megaoperação como esta, certamente nunca mais vai se repetir na minha carreira. É uma mobilização jamais vista e uma honra representar o Paraná e contribuir, efetivamente, em uma missão desta importância”, acrescentou.

 

GRUPOS DE ELITE – Este ano, integrantes do Tigre e do Comando de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar, – também escalado para atuar no Rio 2016 –, ministraram oficinas a outros grupos de elite do País no Exercício Interagências, realizado em Goiânia. Durante o treinamento, os policiais do Tigre reconstituíram ambientes como o da boate Bataclan, de Paris, alvo de um ataque que matou 129 pessoas em 2015.

“A integração das atividades de inteligência nos níveis federal, estadual e municipal concentra um grande potencial, que procura antecipar atividades que tenham por objetivo causar incidentes durante os Jogos. Por outro lado, a construção de uma rede de ações de pronta resposta envolvendo diversas forças policiais e militares nos oferece um cenário de ação imediata no caso de ocorrência de atos que atentem contra a integridade física de pessoas e das instalações. O uso de tecnologia, de cães treinados e da ação de agentes capacitados é nossa arma para enfrentar este tipo de ameaça”, explicou o tenente-coronel Soares.

Também haverá contribuição do Estado com o reforço de três cães treinados para encontrar explosivos. Stive, Zika e Buster, acompanhados dos seus condutores, chegam nesta terça-feira (5) ao Rio para atuar no policiamento ostensivo nos locais de jogos e vila dos atletas.


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