Nesta quarta-feira (15) vários municípios no país se mobilizaram para lembrar o “Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa”. A data foi instituída em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa.

Em Ibiporã, o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa e a Administração Municipal, por meio da secretaria de Assistência Social, organizaram ações visando à sensibilização da comunidade sobre os tipos de violência contra o idoso e formas de combatê-la.

Pela manhã ocorreu uma caminhada de conscientização com os frequentadores do Centro de Convivência do Idoso (CCI) Abílio de Paula. Também participaram o prefeito José Maria Ferreira, a secretária de Assistência Social, Ester Moura, de Saúde, Leilaine Furlaneto, alunos da Apae de Ibiporã, da Escola de Formação e Cidadania (Esforci), Associação de Capoeira da Região de Ibiporã (Acarei), Lar Padre Leoni, representantes do Conselho da Pessoa Idosa, e servidores do Centro de Referência de Assistência Social (CREAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e secretaria de Assistência Social.

Os participantes percorreram a Avenida Paraná em direção a Praça Pio XII e entregam panfletos à população com informações sobre as formas de violência aos quais os idosos são submetidos e como denunciá-las. Ao final houve apresentação dos idosos que participam das aulas de capoeira no CCI. “Como primeira ação pública do conselho, gostaríamos de chamar a atenção da população para um problema pouco falado, muitas vezes mascarado, mas que existe e não pode ser aceito como normal. Mesmo que seja somente uma suspeita, a população deve denunciar sempre que notar qualquer sinal de violência contra idosos”, orientou a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa e assistente social do Hospital Cristo Rei, Tânia Patrícia Bernini.

“É importante a participação das crianças e jovens neste evento. É de cedo que se ensina o respeito aos idosos, a convivência harmoniosa entre as gerações. A violência contra o idoso não pode ser tolerada. Silenciar é ser cúmplice. Denunciá-la é cuidar”, enfatizou o prefeito José Maria Ferreira. “É fundamental ampliarmos este tipo de conhecimento para que as pessoas se conscientizem acerca da violência contra a pessoa idosa e não a aceite como normal”, acrescentou a vice-prefeita Sandra Moya.

Não obstante a violência física seja a mais conhecida e visível, Tânia ressalta que os idosos também são submetidos a agressões invisíveis, as quais mesmo sem machucar o corpo, provocam sofrimento, desesperança, depressão e medo. “Há a violência psicológica (agressões verbais ou gestuais), violência sexual, abandono, negligência (privação de medicamentos, descuido com a higiene e saúde, ausência de proteção contra o frio e o calor), violência financeira ou econômica, autonegligência, violência medicamentosa e violência emocional e social”, pontuou a presidente do Conselho.

À tarde, a promotora de justiça Amarílis Picarelli Cordioli fez uma conversa com os idosos sobre as leis existentes para garantir aos idosos seus direitos e assegurar o envelhecimento digno e, preferencialmente, no seio familiar. “A violência é o contrário dos direitos. Infelizmente nossa sociedade supervaloriza a beleza, a juventude, e considera o idoso algo a ser descartado. No entanto, a realidade tem se mostrado diferente, com idosos ativos, sustentando famílias, cuidando dos netos. Vocês precisam ser protagonistas de suas histórias, reivindicar seus direitos, reconhecer seu próprio valor”, enfatizou.

Atenta à palestra, a aposentada Cleuza da Costa Moraes lembrou do desrespeito que os idosos sofrem no trânsito e no transporte público. “Uma vez o motorista do ônibus falou um desaforo para mim. Não me calei. Levei até o fiscal e ele foi tirado da linha. Devemos estar conscientes dos nossos direitos”, comentou. “Infelizmente tenho um caso de abandono na minha própria família. É muito triste. Atividades como esta são importantes para conhecermos nossos direitos e saber nos defender. É dever de todos zelar pela dignidade do idoso”, lembrou a aposentada Diva Bernardino.

 

Como denunciar

O CREAS de Ibiporã acompanha 89 casos de violação de direitos. Do total, 46% são por negligência dos familiares e 18% de violência física. Há situações de abandono (16%), violência psicológica (11%) e exploração financeira (9%). Três idosos foram retirados das famílias e abrigados em instituições. “Quando as denúncias chegam é feito um trabalho especial com as famílias, no sentido de serem mais pacientes e amorosas com os idosos. Em casos extremos são tomadas medidas de proteção e a institucionalização do idoso”, explica a secretária de Assistência Social, Ester Moura.

O Estatuto do Idoso prevê que os casos de suspeita ou confirmação de violência contra os idosos sejam objeto de notificação compulsória pelos serviços de saúde públicos e privados, e que sejam obrigatoriamente comunicados a quaisquer dos seguintes órgãos, como: Conselho do Idoso, Ministério Público ou Delegacia de Polícia. Esses órgãos devem desencadear medidas protetivas e de responsabilização.

 

– Disque 100;

– CREAS: 3178-0211;

– Disque Idoso Paraná: 0800 41 0001, de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas;

– Disque-Denúncia: 181 (ligação gratuita, 24 horas por dia)

 


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