O Movimento Antimanicomial tem o dia 18 de Maio como data de comemoração no calendário nacional brasileiro. Esta data remete ao Encontro dos Trabalhadores de Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no Estado de São Paulo, que reuniu mais de 350 trabalhadores na área de saúde mental.

No encontro, o lema focado foi “Por uma sociedade sem manicômios”. Denunciavam-se abusos e violação de direitos humanos sofridos pelos usuários de saúde mental dentro dos manicômios. Lutava-se pelo fim desse tipo de tratamento e pela instalação de serviços alternativos.

Por esta razão o movimento tem como meta a substituição progressiva dos hospitais psiquiátricos tradicionais por serviços abertos de tratamento e formas de atenção dignas e diversificadas de modo à atender as diferentes formas e momentos em que o sofrimento mental surge e se manifesta. Esta substituição implica na implantação de uma ampla rede de atenção saúde mental que deve ser aberta e competente para oferecer atendimento aos problemas de saúde mental da população de todas as faixas etárias e apoio as famílias, promovendo autonomia, descronificação e desinstitucionalização. Além dos serviços de saúde, esta rede de atenção deve articular-se a serviços das áreas de ação social, cidadania, cultura, educação, trabalho e renda, além de incluir as ações e recursos diversos da sociedade.

Outra conquista importante foi a aprovação, em 2001, da Lei 10.216, de autoria do então Deputado Paulo Delgado, que após 12 anos de discussões.  Lembrando que esta lei preconiza a reestruturação da atenção em saúde mental, defende os direitos das pessoas que necessitam de tratamento e propõe a criação de serviços que ofereçam este tratamento sem que isto signifique exclusão da vida social ou perdas dos direitos e do lugar de cidadão.

Pensando em toda esta contextualização, a administração municipal vem atendendo a este ao novo modelo de serviço substituto. A cidade conta com dois Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O Centro de Atenção Psicossocial Adulto Cecília Peruco Deliberador (CAPSI), que atende cidadãos do município que apresentam um transtorno mental grave ou dependentes de substâncias psicoativas, acima de 18 anos completos. O CAPSI possui uma equipe multiprofissional com enfermeiro, psicólogos, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, médico psiquiatra, educador social, apoio da assistente social e atende atualmente 1398 pacientes por mês.

“Nossos usuários passam por diversos atendimentos, dentre eles grupo de triagem, consultas médicas, visitas domiciliares, medicações de depósito, medicações domiciliares, grupo de terapias, grupos de famílias, inclusão na rede de apoio do município, oficinas terapêuticas, grupo para os dependentes químicos, atendimento dos idosos no asilo, passeios em datas comemorativas, além de outras atividades definidas pela equipe multiprofissional”, expõe a coordenadora municipal de saúde mental, Carolina Santana Siqueira.

Ibiporã possui também o Centro de Atenção Psicossocial Infantil Irmã Anália dos Santos (CAPSi), que foca em atender a problematização da saúde mental das crianças e adolescentes do município. O atendimento no CAPSi é para pessoas na faixa etária de 0 a 17 anos 11meses e 29 dias, que apresentam um comprometimento psíquico grave, podendo estar incluído os portadores de autismo grave, psicoses, neuroses graves e todos aqueles que por sua condição psíquica, estão impossibilitados de manter ou estabelecer laços sociais. O CAPSi também conta com uma equipe multiprofissional: psicólogos, enfermeiro, assistente social, terapeuta ocupacional, pedagogo, médico pediatra especialista em saúde mental, fonoaudiólogo.

A unidade de saúde atende 240 crianças e adolescentes mensalmente. São realizados 597 por mês com a população atendida. “Nossas crianças e adolescentes passam por diversos atendimentos como o grupo de acolhida, triagem com os responsáveis, avaliação individual com as crianças e adolescentes, atendimento individual, estimulação precoce para os bebês, grupos terapêuticos, oficinas terapêuticas, consultas médicas, inclusão dos usuários na rede de atenção à criança e adolescente do município, grupos de pais e mães, reuniões com toda rede, passeio nas datas comemorativas, matriciamento juntamente com o NASF, entre outras atividades definidas pela equipe multiprofissional”, esclarece Carolina. “Como podemos ver a Saúde Mental no Brasil está evoluindo, porém a Luta Antimanicomial não pode parar; para que possamos manter vivo o cuidado com os doentes e para que fique claro que eles não devem ficar excluídos da sociedade e maltratados como eram antigamente; e os serviços substitutivos do Município de Ibiporã também tem se empenhado fortemente para proporcionar aos nossos usuários atendimento mais humano, sem exclusão e sim inclusão na nossa sociedade”, finaliza ela.


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