A cena clássica é indicativa de que a pessoa está, no mínimo, aflita com alguma situação ou pensamento: olhar de preocupação, dedos na boa, unhas sendo, pelinhas sendo arrancadas… E o ato NÃO CESSA até que todos os dedos tenham passado por dentes afiados.

“O HÁBITO DE ROER UNHAS está intimamente LIGADO À ANSIEDADE, que é uma reação do nosso organismo frente a qualquer situação de ameaça, seja ela real ou não; num GRAU MAIS ELEVADO, ela se torna um TRANSTORNO”, coloca a psicóloga clínica Aretusa dos Passos Baechtold, do Instituto de Psicologia e Controle do Stress Marilda Lipp. “CRIANÇAS E ADOLESCENTES, em especial, acabam roendo unha como uma COMPULSÃO”. É uma FORMA DE ALÍVIO daquilo que as aflige e lhes causa inquietação.

O problema é sério e merece a devida atenção. De acordo a especialista, uma pesquisa constatou que a incidência do problema é bastante alta na população e muito MAIS FREQUENTE EM MULHERES. Ela também reforça que a ONICOFAGIA, como é chamada, também pode ser originada EM FUNÇÃO de uma DEPRESSÃO: frustração, ANGÚSTIA, tristeza, MEDO, ESTRESSE (o tão conhecido vilão dos dias de hoje) e até mesmo a vergonha encontram refúgio na mesma compulsão.

QUALIDADE DE VIDA

Ainda que haja DOR E SANGRAMENTO envolvidos, eles NÃO parecem ser SUFICIENTES PARA COIBIR ESSE COMPORTAMENTO, encarado como uma distração para a mente  que está cheia de pensamentos agitados. “A própria frustração em tentar parar de roer unha, em se esforçar e não resistir, gera uma decepção maior ainda, que acaba MANTENDO O VÍCIO”, Aretusa ressalta. E o CICLO se instala! Todas essas consequências comprometem a qualidade de vida, fora o constrangimento que pode se abater sobre o indivíduo, ao achar que os outros o tem como fraco por não ser capaz de dar a volta por cima.

RISCOS DE SAÚDE

“A piora do quadro, ou o desenrolar do distúrbio, pode trazer bastante SOFRIMENTO, levando à INFLAMAÇÃO e à SENSIBILIDADE EXTREMA NA PONTA DOS DEDOS; assim como PROBLEMAS GÁSTRICOS, por conta de se acabar ENGOLINDO OS RESQUÍCIOS DE UNHA – nosso sistema digestivo não é preparado para isso”, alerta a psicóloga. Além, é claro, da GRANDE QUANTIDADE DE BACTÉRIAS E SUJEIRAS que adentram a boca nesse procedimento: CONSEQUÊNCIAS  GRAVES DE SAÚDE podem acontecer em função disso.

ROER UNHAS ATÉ FICAR VELHINHO?

A onicofagia pode conduzir à DESTRUIÇÃO DAS UNHAS, dependendo do grau estabelecido. Dessa maneira, quanto mais CEDO se BUSCAR pelo TRATAMENTO, MAIORES as CHANCES DE SUPERAÇÃO. “A TERAPIA comportamental cognitiva tem se mostrado uma estratégia bastante EFICIENTE para essas EMOÇÕES NEGATIVAS NÃO SAUDÁVEIS”, recomenda a especialista. A ANSIEDADE NÃO É ESPONTÂNEA e, em muitas circunstâncias, a pessoa nem ao menos sabe porque está daquele jeito; tal sensação é, normalmente, MUITO INTENSA na sua forma de sobrevir, e LEVA A UMA PARALISAÇÃO no momento DA RESPOSTA.

A SAÍDA encontrada, na maioria das vezes, é optar por TÁTICAS NÃO FUNCIONAIS: roer unhas está entre elas, obviamente, assim como a compulsão por comida, a tricotilomania, a escoriação neurótica (ou skin picking) – quando o próprio paciente se fere e causa lesões no corpo – entre outras. A INTERVENÇÃO de um profissional contribuirá para que, pouco a pouco, haja mais CONSCIENTIZAÇÃO sobre os PRINCÍPIOS QUE AS DESENCADEIAM, para que a chegada do amadurecimento venha livre de qualquer perturbação do gênero. Afinal de contas, esse é o sentido dessa fase, não é mesmo?

DICAS PARA LARGAR O HÁBITO

“O que pode ajudar a quebrar o hábito de roer unhas é TER COMPORTAMENTOS CONCORRENTES”, Aretusa introduz. “Enquanto estou UTILIZANDO AS MINHAS MÃOS PARA ALGUMA ATIVIDADE, elas não estão na minha boca e, consequentemente, não estou roendo as unhas; o mesmo ocorre enquanto estiver com a boca ocupada”. A relação parece bem simples e fácil de seguir. “BRINCADEIRAS DE DEDILHAR, com uma mão na outra, ou mesmo, com a mão sobre uma superfície; BOLAS DE MASSAGEM, de apertar – para que se faça a contração dos dedos, são dicas interessantes”, ela sugere. Essa é uma boa hora para que novos hobbies aflorem, principalmente os que empregam essas partes do corpo.

EXEMPLO DOS PAIS

“O comportamento de ROER UNHA É INADEQUADO, INDEPENDENTE DA FREQUÊNCIA. NUNCA deve ser TOLERADO: a partir do momento que a pessoa se percebe nessa posição, mesmo que esporadicamente, deve procurar EVITÁ-LO”, a especialista adverte. Ela orienta que os PAIS COÍBAM A CONDUTA nos pequenos e EXPLIQUEM O MOTIVO pelo qual é inadequada.

Na hipótese da condição ser inversa, dos ADULTOS SOFREREM com a COMPLICAÇÃO, Aretusa complementa: “eles têm uma chance maior de que os seus FILHOS TAMBÉM APRENDAM essa estratégia para lidar com as emoções negativas”. Será MAIS DIFÍCIL MUDAR O HÁBITO ADQUIRIDO PELO EXEMPLO, se a obstáculo não for previamente sanado.

 


Warning: A non-numeric value encountered in /home/u518741285/domains/portaltudo.com.br/public_html/wp-content/themes/portal2017/includes/wp_booster/td_block.php on line 1009