Atividades de mobilização e sensibilização lembraram o “18 de Maio”, “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, em Ibiporã. Este ano os eventos, organizados pela Administração Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, através da rede de serviços representados pelo CRAS, CREAS, Conselho Tutelar, Caps Infantil, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e secretarias municipais, foram ampliados e descentralizados, atingindo as comunidades de bairros do município.

A programação iniciou-se terça-feira (17), com uma ação comunitária na praça do Jardim San Rafael. Houve apresentação de dança com os alunos da Escola Municipal Ivanildes Gonçalves Nalim, da Escola Estadual do San Rafael, do coral do CAPSi e do grupo de teatro Metanóia, do Espaço Vida.

Representantes da rede de serviços falaram sobre a importância da data e de se conscientizar a população a assumir a responsabilidade de prevenir e enfrentar o problema da violência sexual praticada contra crianças e adolescentes.  “Como na maioria dos casos o abusador é alguém próximo à criança, com quem ela possui vínculo afetivo, muitas optam pelo silêncio e sinalizam sutilmente que estão tendo seus direitos violados. Cabe ao adulto captar estas mudanças e utilizar os meios legais para denunciar. É necessário que a sociedade “faça bonito” na proteção de nossas crianças e adolescentes”, alertou a secretária de Assistência Social, Ester Moura.

O representante da regional de Londrina no Conselho Estadual de Assistência Social e ex-presidente do CMDCA, Paulo Silvério, solicitou às crianças e adolescentes presentes que estejam sensíveis ao que acontece com elas mesmas e seus colegas e, caso percebam situações de violência, procurem pessoas de sua confiança para relatar. Silvério também comentou de um “sonho” que está começando a ser construído em Ibiporã – o Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes. Quarenta membros, entre titulares e suplentes, representando a esfera governamental e a sociedade civil, sendo duas crianças, têm a missão de elaborar até o final do ano um material norteador para a implementação de políticas públicas que concretizem os direitos das crianças e adolescentes para os próximos 10 anos.

Na quinta-feira (19) foi a vez dos moradores dos conjuntos habitacionais Jamil Sacca, Miguel Petri e Said Mustapha Issa serem convocados pela comunidade escolar da Escola Municipal Nelson João Sperandio a se engajar no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. Munidos de faixas, cartazes, flores amarelas, símbolo da campanha “Faça Bonito – proteja nossas crianças e adolescentes”, mais de 200 pessoas saíram às ruas pedindo que as pessoas quebrem o silêncio e denunciem os casos por meio do Disque-Denúncia Nacional, o “Disque 100”, cuja ligação é gratuita e anônima. Os participantes tiveram momentos de descontração com os atores do Grupo Metanoia e aula de ritmos com o Negru’s Ritmos Fitness.

 

A coordenadora pedagógica da escola, Eleide Goreti Cardoso, enfatizou que o tema violência é trabalhado cotidianamente na instituição, sendo que a temática abuso e exploração sexual foi abordada por meio de palestras ministradas por conselheiros tutelares. “Felizmente não temos casos vivenciados em nossa escola e estamos sempre alertando os alunos a perceber situações estranhas e professores e funcionários a se atentarem a mudanças repentinas de comportamento das crianças. Nosso maior desafio é romper o sigilo, pois muitas vezes a vítima é ameaçada pelo abusador”,  comentou.

Participando das atividades, a aluna do 5º ano Maria Cláudia Bueno Lemos lembrou que a melhor maneira de se combater a violência sexual contra crianças e adolescentes é a prevenção. “Com as dicas que me foram repassadas estou mais atenta. Não é em qualquer um que podemos confiar”, alertou a estudante.

 

Caso Araceli

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído pela lei federal 9.970/00, em alusão a 18 de maio de 1973, quando a menina Araceli, de apenas oito anos, foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada por jovens da classe média alta de Vitória (ES). Apesar de sua natureza hedionda, o crime prescreveu e os assassinos ficaram impunes. Vinte e sete anos depois, a data de sua morte foi transformada no Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes pelo Congresso Nacional.

 

Números

A Secretaria Estadual da Segurança Pública e Administração Penitenciária revelou que em 2015 foram registradas 3.020 ocorrências de violência sexual e física contra crianças e adolescentes no Paraná – das quais 444 em Curitiba. Isso significa uma média diária de 8,2 casos.

Em Ibiporã, o Creas atendeu 54 casos de violência sexual contra crianças até 12 anos de janeiro de 2015 até abril deste ano. Em 31 as vítimas foram meninas. Em muitos dos casos registrados os abusadores foram vizinhos. Os diversos tipos de violência raramente ocorrem de maneira isolada. Como exemplo de casos que afetam o público infanto-juvenil estão a negligência (abandono) e as violências físicas (agressão, cárcere privado, homicídio, maus tratos), psicológicas (ameaça, chantagem e perseguição) e sexuais (abuso, estupro, exploração, grooming, sexting, pornografia).

Como denunciar:

– Disque 100; (funciona diariamente, 24 horas, por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel, bastando discar 100. As denúncias podem ser anônimas, e o sigilo das informações é garantido, quando solicitado pelo demandante);

– Disque-Denúncia 181 – Violência Contra a Criança.  O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Anonimato garantido. www.181.pr.gov.br

– Conselho Tutelar – (43) 3178-0212/8421-7200;

– Polícia Civil: (43) 3258-2004;

– Polícia Militar: 190/3258-3412;

– CREAS: 3178-0211;

– Por e-mail: disquedenuncia@sedh.gov.br

– Caso de Pornografia na internet: www.disque100.gov.br

 

Dicas para evitar violência contra crianças e adolescentes:

– Ouvir relatos dos filhos e não ignorar caso um problema apareça, procurando as autoridades competentes;

– Conversar periodicamente com os filhos para orientá-los a não aceitar presentes nem se relacionar com estranhos;

– Estabelecer um vínculo de confiança com a criança;

– Ensinar, desde cedo, que existem partes do corpo que são íntimas;

– Não deixar os filhos sozinhos com estranhos, mesmo que por pouco tempo, em banheiros, transporte público e provadores, por exemplo;

– Estabelecer regras e limites, mantendo uma relação franca, e procurar saber o que os filhos fazem e com quais adultos se relaciona com frequência;

Fonte: Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima de Crime (Nucria)


Warning: A non-numeric value encountered in /home/u518741285/domains/portaltudo.com.br/public_html/wp-content/themes/portal2017/includes/wp_booster/td_block.php on line 1009