Janeiro é o mês de conscientização sobre a hanseníase, doença que coloca o Brasil em segundo lugar em número de casos, atrás apenas da Índia. Por ano, são registrados perto de 30 mil casos nos vários estados brasileiros, incluindo adultos e crianças. Em 2016, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro e consolidou a cor roxa para campanhas educativas, sendo o dia 28 o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase. O objetivo é reforçar o compromisso em controlar a hanseníase, promover o diagnóstico e o tratamento corretos, difundir informações e desfazer o preconceito.

A hanseníase, conhecida oficialmente por este nome desde 1976, é uma das doenças mais antigas na história da medicina. É causada pelo bacilo de Hansen, o Mycobacterium leprae: um parasita que ataca a pele e nervos periféricos, mas pode afetar outros órgãos como o fígado, os testículos e os olhos. Não é, portanto, hereditária.

De acordo com o dermatologista do Centro de Referência de Especialidades Médicas de Ibiporã (Cremi), Rafael Garani, a doença atinge basicamente a pele e os nervos. Os sintomas são manchas espalhadas pela pele. “Ao atingir a pele, a hanseníase se manifesta com manchas de distintas formas. Quando os nervos são atacados, as alterações são diversas como perda de sensibilidade térmica, dolorosa e tátil”, esclarece. “É comum alguns pacientes não sentirem quando entram em contato com algum objeto quente e se queimam, porque a área está ‘anestesiada’, eles só enxergam a consequência da queimadura quando bolhas aparecem na pele”, pontua Garani.

A transmissão do M. leprae se dá por meio de convivência muito próxima e prolongada com o doente da forma transmissora, chamada multibacilar, que não se encontra em tratamento, por contato com gotículas de saliva ou secreções do nariz. Tocar a pele do paciente não transmite a hanseníase. Cerca de 90% da população tem defesa contra a doença. O período de incubação (tempo entre a aquisição da doença e da manifestação dos sintomas) varia de seis meses a cinco anos. A maneira como ela se manifesta varia de acordo com a genética de cada pessoa.

Tratamento

Conforme a coordenadora da Divisão de Programas de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Tissiane Soares Seixas de Matos, todos os profissionais da rede básica de saúde estão capacitados para identificar os sinais e sintomas da hanseníase. “Caso haja alguma suspeita, o paciente é encaminhado para consulta com o dermatologista que realizará exame clínico mais detalhado e, caso necessário, solicitar exames complementares para confirmação diagnóstica”, complementa Tissiane.

A poliquimioterapia (PQT), uma associação de medicamentos que evita a resistência do bacilo deve ser administrado por seis meses ou um ano a depender do caso. Os pacientes deverão ser submetidos, além do exame dermatológico, a uma avaliação neurológica simplificada e sempre receber alta por cura.

Segundo Garani, após o inicio do tratamento, que é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o paciente para de transmitir a doença, porém se abandona o procedimento no meio, continua com a doença que pode evoluir internamente gerando sequelas nos nervos. A Administração Municipal, por meio do Programa Saúde da Família (PSF), na figura do agente comunitário, faz busca ativa aos pacientes que se afastam do tratamento, chamando-os a reiniciá-lo com o médico especialista.

O dermatologista alerta que assim que o paciente for diagnosticado com a doença, as pessoas que moraram com ele nos últimos cinco anos devem procurar a UBS mais próxima, fazer os exames e tomar a vacina BCG, a mesma que é aplicada em recém-nascidos.

De acordo o Setor de Epidemiologia, nove pessoas estão em tratamento atualmente contra a doença em Ibiporã.