O Partido dos Trabalhadores (PT) organiza uma mobilização permanente em frente à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso desde sábado (7). Segundo o partido, os militantes devem permanecer no local até que ele seja solto.

“Já estão sendo agendadas visitas de líderes internacionais. Até o dia em que Lula for solto, milhares de pessoas passarão todos os dias pelo local que Sérgio Moro esperava que ficasse conhecido apenas como a cidade onde Lula cumpriu pena, mas na verdade se tornará um marco de peregrinação para todas as pessoas do Brasil e do mundo que lutam por justiça, democracia e pelo respeito aos direitos fundamentais”, disse o PT, em nota.

A senadora e presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, também se manifestou neste sentido durante o final de semana. “Nós não sairemos daqui enquanto o presidente não for libertado”, disse. Segundo a Frente Brasil Popular, que congrega movimentos pró-Lula, são esperados cerca de 1.500 militantes nos próximos dias – vários ônibus já chegaram à capital.

Durante o domingo (8), cerca de 400 pessoas permaneceram no local, dentro da delimitação determinada pela Polícia Militar (PM), que montou um esquema de segurança no local.

No final de semana, a Justiça concedeu um interdito proibitório, a pedido da prefeitura de Curitiba, para que manifestantes não permaneçam e não montem acampamentos nas ruas próximas. Eles devem respeitar estes limites.

 

A prisão

Lula foi preso no sábado, após se entregar à PF em São Bernardo do Campo (SP). Ele foi trazido a Curitiba, onde chegou por volta de 22h. Ao decretar a prisão, na quinta-feira (5), o juiz Sério Moro determinou que o ex-presidente começasse a cumprir sua pena em uma cela da Superintendência.

Na chegada de Lula à PF em Curitiba, houve confronto. Bombas de gás lacrimogênio teriam sido usadas pela PF para conter manifestantes que se aproximaram dos portões. No total, oito pessoas ficaram feridas, entre elas manifestantes, policiais e três crianças. Todos passam bem.

Segundo o PT, na primeira noite em Curitiba, Lula “dormiu tranquilamente e não foi maltratado pelos agentes”. Até agora, a única pessoa a visitar o petista foi Cristiano Zanin Martins, advogado que o representa nos processos de Curitiba. Zanin esteve com Lula na noite de sábado e novamente na tarde de domingo.

Em seu primeiro dia no cárcere, Lula teve à sua disposição as mesmas refeições servidas aos outros presos: pão com manteiga e café com leite pela manhã e marmitas no

almoço e no jantar: arroz com feijão e salada, além de carne assada ou macarrão.

Lula não poderá, nos primeiros dias, receber comida de famliares, que são autorizados a levar alimentos como bolachas e chocolates. Como foi instalada uma TV na cela, o ex-presidente assistiu à final do Campeonato Paulista, ontem entre Corinthians e Palmeiras. “Ele está bem, embora indignado com a situação”, disse Zanin.