A família de José Vilmo, 40, que foi morto por um guarda municipal na última quinta-feira (30), contesta a versão oficial do acontecido. A viúva relata que o marido sentia dores fortes na cabeça que provocavam surtos de agressividade. “Teve uma vez que ele ficou nervoso, me empurrou, eu caí e quase quebrei a clavícula. Foi neste momento que percebi que havia algo de errado com ele”, diz Sônia da Silva.

Ela levou o marido à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do jardim Sabará, zona oeste de Londrina, para um raio-x na cabeça. José surtou lá dentro e foi advertido pelos guardas municipais. “Falaram para mim que ele não seria preso, somente seria levado À Delegacia para prestar depoimento, porque ele tinha brigado e agredido os funcionários. Eu fiquei surpresa porque ele não era violento”, relembra.

Sônia da Silva, saiu da UPA para buscar um lanche para o casal e, quando voltou, o marido estava morto. “No chão, eu vi o chinelo que dei de presente a ele. Em seguida, saí gritando desesperadamente”, afirma. Segundo testemunhas, José tomou uma pistola do guarda municipal e saiu da UPA atirando. O guarda teria revidado, utilizando um revólver reserva. José foi atingido por dois tiros.

A Polícia tem 30 dias para concluir o inquérito e ainda aguarda o resultado das perícias nas armas e também no corpo da vítima. Por enquanto, com base no relato das testemunhas, prevalece a hipótese de legítima defesa. “A partir de disparos efetuados pelo paciente, houve a necessidade de disparos do guarda municipal. Claro que somente com as perícias poderemos chegar a uma conclusão do que ocorreu de fato naquele dia”, explica Osmir Ferreira, delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial.

Para a família, nada justifica a perda. “Minha mãe está inconformada. Ela está sem comer e está sofrendo muito. Não queremos a morte do agente. Ele vai pagar em vida, vai sofrer muito”, afirma José Silvestre, irmão da vítima.

(Colaboração Lívia de Oliveira/TV Tarobá)